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Sistinas contos de vampiros
A morte dá carona
Juliana e Johnny eram casados há cinco anos, mas o casal já vivia uma crise no casamento. A começar pelo sexo, não se entendiam mais. Johnny era descaradamente promíscuo, e Juliana já havia percebido e dava suas escapadas diurnas para a cama de outro jovem.
Após várias brigas, resolveram ir a um terapeuta familiar para tentarem se reencontrar.
Após a primeira consulta, o terapeuta os fez enxergar que precisavam de estímulos para suas fantasias sexuais, e Johnny resolveu, depois de ter uma conversa com a esposa em casa:
-Sabe o que eu realmente gosto de fazer às vezes? Eu saio por aí após o trabalho e pego uma prostituta pelo caminho. Acho que o que me excita é o gostinho de estar pagando, ser dono dela por algumas horas...
-Eu tenho uma fantasia também, que é a do estupro. Eu aceito uma carona de um estranho e ele me violenta! O perigo, o jeito rude de ser domada, me excita mesmo!
-Podemos marcar algo do tipo. Eu realizo minha fantasia e você realiza a sua. Que tal, Juliana? - propôs Johnny.
Juliana relutou um pouco, mas acabou aceitando... Se era um caminho, que mal podia haver em tentar?
Após alguns dias, Johnny violentou sua esposa. A jovem vibrou como nunca nas mãos de seu homem. Eles entraram no mesmo ônibus, em pontos diferentes. Ele a bolinava em pleno trânsito, se excitaram com esse exibicionismo barato e depois desceram num motel. Transaram como dois selvagens.
27 de Maio de 1999:
Johnny mal podia esperar. Era o dia que escolheu para realizar sua fantasia. Sabia que Juliana estava querendo retribuir o prazer que tinha alcançado na semana passada. E não é que o maldito terapeuta tinha razão? Agora eles falavam mais abertamente, conseguiam expor suas fraquezas e medos para o outro, e o casamento ganhou vida nova. Dizem que o sexo não é tudo, mas é fundamental!
Para dar mais realismo à coisa, combinaram numa rua meio movimentada no centro, ponto de prostituição conhecido. Juliana sentiu medo no início, mas depois entrou no espírito da fantasia... Se vestiu de maneira provocante e saiu.
Johnny mal podia esperar o final do expediente. Combinou a hora com Juliana e o relógio não colaborava... Os ponteiros pareciam lentos, a noite nunca chegaria!
Na hora combinada, Johnny a viu parada na calçada, ao longe. Resolveu prolongar seu próprio prazer, pois talvez fosse a última vez que fariam aquilo, e voltou ao carro. Deu uma volta lentamente pelo quarteirão, sorriso malicioso nos lábios. Parou e pediu os serviços para todas prostitutas que encontrou no caminho. Então foi encontrar Juliana...
Quando virou a esquina, se surpreendeu. Viu Juliana atendendo um estranho carro escuro, preto como a morte. Vidros igualmente opacos e uma bruma sobrenatural saindo do veículo.
Ia em direção à sua amada, que olhou calmamente para ele. O brilho em seu olhar dizia que o tinha visto. Johnny encarou aquilo como mais uma brincadeira e parou o carro. Achou certa graça na situação e riu nervosamente. Ela estava representando... Só isso.
Seu mundo desabou quando a porta do veículo negro se abriu. Olhou incrédulo para sua esposa, que nesse momento entrava sorridente no carro desconhecido. Viu assustado o mesmo arrancar deixando marcas de pneus no asfalto...
Rapidamente tentou virar a chave no contato de seu carro, quando sentiu o vidro ao seu lado descendo sozinho. Virou-se depressa e uma figura feminina, pálida e horripilante, colocou a mão em seu ombro. Em desespero, tentou ligar o motor.
Mas a maldita chave não girava no contato. Parecia subitamente feita de plástico mole. Olhou já em pânico para a mulher do lado de fora de seu carro, e viu seus lábios se mexerem. Uma voz cavernosa soou, e ele sentiu o hálito fétido da criatura:
-Você não sabe o que existe na noite...
OBS: Escrevi a idéia básica de "A morte dá carona" em poucos minutos, em frente à um antigo amigo meu, enquanto ele desabafava sobre seu relacionamento. Isso em 1998. Os nomes são reais.Primeiro conto de Sistinas, publicado em 31.05.00
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Monjas
O vampiro olhou fixamente para a janela fechada.Lá dentro, em algum lugar, estava sua amante predileta. Ela era quente, e odiava ser possuída por ele. E a cada manhã acordava frustrada por ter cedido aos pecados da carne, e orava a Deus por proteção.Coitada. Estava à beira da loucura, e ele adorava aquilo!O vampiro forçou levemente o vidro e a janela cedeu. A criatura se esgueirou e conseguiu enfim entrar novamente no convento. Não era muito difícil. As trancas que as freiras colocavam por dentro não duravam mais que dois minutos. Talvez segurassem um ladrão comum, um humano normal... Mas quando se tem garras capazes de rasgar um homem ao meio, trancas e vidraças não são problemas.Mal podia esperar para tocar de novo aquela coisinha macia, quente e saborosa com cheiro de suor feminino. O simples fato de saber que a irmã Christine não usava nada por baixo do hábito lhe dava prazer. A primeira vez em que transaram foi fantástica. Ela sangrou muito, e o vampiro bebeu até a última gota enquanto a freira chorava em vão.Irmã Christine era branca, olhos azuis profundos e de longos cabelos negros. Estava se lavando, tentando sentir a presença dele. Sempre vinha nessa época do mês, ele queria seu sangue...Molhava as coxas com a água, e esfregava vigorosamente como se isso lavasse ou mesmo amenizasse as vezes que ela abriu as pernas para receber o cavaleiro negro. Sabia que era uma pecadora, e que não teria redenção. Continuou a se lavar. Encheu a palma da mão de água e levou até a virilha. Molhou sua intimidade e percebeu-se de repente como estava excitada. Por um momento deixou-se imaginar se o vampiro viria esta noite ou não...Foi quando sentiu algo. Sua pele arrepiou toda e ela olhou para a porta de seu quarto. Queria não acreditar, mas lá estava ele... Parado, olhando com a luxúria infernal que a atraía tanto.-Boa noite, irmã.A freira ficou sem ação, como sempre. Derrubou a bacia cheia no chão, e sentiu vontade de gritar quando a água molhou seus pés... Mas sabia que não podia gritar!-Acalme-se minha pombinha... Quero apenas o que sempre me dá.-Cria das trevas, me deixe em paz!-Seu espírito diz isso. Seu corpo, no entanto, me deseja... - riu o vampiro.-Se me tocar novamente...-Não negue. Quero você. E a terei por toda a eternidade.A freira sabia que ele falava sério. E se ela tentasse se matar durante o dia nunca alcançaria a graça para sua alma. As madres pregavam que coisas horríveis ocorriam com as almas dos suicidas... e irmã Christine queria a redenção dos céus! "Deus, me ajude!" - pensava.-Me servirá esta noite e em todas outras que o desejo me incendiar - provocou o vampiro.Irmã Christine não sabia mais o que fazer, queimava de desejo pela figura de negro também, embora tentasse negar. Recuou um passo, mas o vampiro caminhou em sua direção. A freira sentiu-se acuada na parede, indefesa.-Quero você..."Não me deixe cair em tentação..."O vampiro se aproximou da mulher. Estava muito perto e ela virava o rosto para o lado, sem poder encarar aquela criatura.-Olhe para o que sou... Pode ver o demônio em meu olhar?Irmã Christine rezava em silêncio. O olhar de puro medo fitava o chão, buscando forças em algum ponto invisível."Deus, não me deixe cair..."O vampiro então a pegou pela cintura. A mulher sentia o hálito fétido do morto vivo e seu estômago embrulhava. Uma lágrima de desespero escorreu pelo azul de seus olhos. Suas mãos suavam..."...santificado seja vosso nome..."Irmã Christine sentiu então seu hábito sendo levantado aos poucos. As mãos ásperas da criatura roçando sua perna...-Quero você esta noite, irmãzinha. Será minha novamente...A freira tentava fechar as pernas do avanço da criatura, mas temia enfurecê-lo, e o desejo começava a crescer também...-Como você é quente... E me quer, não é?-Meu corpo é seu, criatura, mas nunca poderá macular minha alma!-Que tocante... Pouco me importo com isso. Minha necessidade é material, irmãzinha. Quero sexo, quero sangue.O vampiro fitava os olhos profundos de irmã Christine agora. E foi olhando para ela que alcançou o meio de suas coxas.Quando sentiu a mão fria, quase gelada, ela suspirou. Seu corpo se entregou. E nessa hora abriu as pernas instintivamente e ansiou pelo toque mais profundo da mão das trevas.-Hum, como está molhada, minha prostituta..."DEUS, como é bom... não... não quero!" - remoía os pensamentos enquanto sentia sendo invadida pelos dedos do vampiro. Fechou os olhos e tentou segurar um gemido de prazer que teimava em escapar de seus lábios.-Quero sentir você derretendo em meus dedos..."Ohhhhhhhhhh, maldito... me invade.... coloca em mim logo!"Christine mordia seu próprio lábio com medo de deixar escapar algo. Queria pedir tudo a ele, queria ser sua fêmea, sua putinha...-Diga que me quer, irmãzinha. Você treme em meus braços, sei o quanto precisa disso...-Maldito! "Hummmmm, que gostoso..."O vampiro passava as longas unhas nas coxas dela, e apalpava seu seio firme por cima do hábito. Sentia os mamilos durinhos por baixo do tecido."Me come... Por favor!"-Não gosto de seu silêncio. Quero ouvir você implorar por mim...Irmã Christine abriu os olhos e o encarou pela primeira vez. Profundamente, com selvageria, mas permaneceu calada. Seu olhar era explícito, de desafio, e o vampiro se enraiveceu:-Prostituta, quer ser bem fodida, não é? Quer me sentir bem fundo? Quer pecadora?A criatura passou então a massagear o clitóris endurecido da freira. Ela tremeu toda e tentou segurar um gemido forte. Christine suava e ainda olhava para ele."Não me torture... Te quero, me come por favor..."-Peça por mim..."Venha, eu te quero... Quero ser a mais vadia das mulheres!"-Peça, maldita prostituta católica, peça!"Oh Deus... Porque me deixa cair nessa tentação e depois me tortura?"O vampiro soltou a freira e abriu a calça. olhava para ela ameaçadoramente enquanto soltava o cinto."Oh Deus, porque devo sofrer assim? Estou envergonhada! Sou sua serva mas não posso negar meu tesão, nem as conseqüências do meu pecado!"-Veja como estou duro. Sinta.Dizendo isso o vampiro passou a esfregar seu membro nas pernas de irmã Christine..."Não me faça esperar, me come maldito vampiro! TE QUERO!"-Vou te penetrar, minha vaquinha, e quero ouvir seu gemido.Ergueu uma perna da freira e expôs a vagina dela pela primeira vez ao olhar. Passou as unhas nos pêlos bem aparados da mulher como um carinho profano e a penetrou...-Ahhhh! - ela gemeu forte.O vampiro caprichou. Entrou pela umidade de Christine até o fundo. Penetrava devagar olhando para a freira encostada na parede, seus movimentos começando a acelerar aos poucos...-Uuuuhhhh... "Deus, me perdoe!"-Estou te fodendo, vagabundinha de convento.-Vem, te quero... - gemeu Christine, confessando em voz alta pela primeira vez.O vampiro intensificou os movimentos. Ia e voltava dentro da freira com ferocidade. Começou a machucar o sexo dela."Me machuque! Isso, Deus está me punindo, devo sentir muita dor..."-Meu cavaleiro negro, me fode... Mais forte!Um brilho avermelhado assumiu o olhar do vampiro. A besta furiosa começava a aflorar.-Me machuque, maldito! Venha para dentro de mim, mais forte! Ohhhhhhh, chamas do inferno...O vampiro não falava mais. Soltava um grunhido às vezes e continuava a penetrá-la em inquietante silêncio. Os seios de Christine balançavam muito e ela jogou a cabeça para trás...-Me come, me fode... Me faça pecar mais!Num rompante de fúria, o vampiro rasgou o hábito da freira, expondo todo corpo branco de Christine ao seu prazer. Ergueu mais ainda a perna dela, que nessa hora já estava dolorida de tanto ir e voltar em êxtase, e a penetrou novamente, o mais fundo que pôde.-Ahhhhhhhh, goza, sou sua vagabunda! Me enche de porra!-Puta de convento, puta, vagabunda católica... grunhia a criatura, repetidamente, por entre os caninos.Christine estava gozando. Era daquela selvageria que gostava. Sentia dor em cada músculo de seu sexo, e parecia que seria empalada por aquele membro nervoso que a penetrava. Cada vez mais fundo. Cada vez mais forte!-Me batiza com sua porra, cria das trevas!! Goza! - gritou, nervosa.O vampiro teve um violento espasmo devido a seus músculos atrofiados pela falta de vida, e então soltou seu sêmem estéril dentro da freira. Ela sentiu o caldo espesso porém frio do vampiro escorrer por suas entranhas...-Me molha mais, eu quero mais. Não está quente como você gosta?O vampiro olhava para freira de maneira estranha quanto ao orgasmo que tiveram juntos. Gostou daquilo. Fez silêncio. Só se ouvia a respiração ofegante de irmã Christine. Seus seios volumosos de mamilos marrom escuros subiam e desciam cadenciados conforme se recuperava do gozo. Ele podia ouvir as batidas do coração dela, rápidas, se acalmando aos poucos.-Me possua novamente. Te quero de novo. Venha, comece a mexer aqui dentro...O vampiro retirou seu membro de dentro dela. Pingava uma mistura viscosa de esperma, suco vaginal e sangue menstrual.-Quero você, meu vampiro.-Quero seu sangue... - ele retrucou.-É todo seu, assim como meu sexo é seu. Sei que gosta de mim nessa época!O vampiro se abaixou, abrindo de vez o hábito estraçalhado da freira e lambeu toda a coxa e virilha dela. Lambeu vestígios de sangue. Irmã Christine segurou a cabeça dele entre suas pernas e sorriu feliz. Sentia-se desejada, como nunca antes. Apesar do pecado, entendera o que era ser mulher, no sentido carnal. A inevitável comparação com Eva veio à sua mente.Após lamber todo o sangue que escorria, o vampiro ergueu-se novamente e fitou Christine nos olhos. Sabia o que viria agora. Ele a faria dormir e sumiria noite adentro, e ela acordaria ainda ardendo de desejo horas mais tarde.-Não... - ela resmungou.-O que ainda quer? A minha escuridão?-Me deixe lamber seu sangue. Quero sentir seu gosto...O vampiro nem respondeu. Christine ajoelhou-se e pegou em seu membro ainda lubrificado pelo sexo. Estava avermelhado com o sangue dela. Levou a boca e quando sua língua o tocou se sentiu a mais perdida das mulheres. Como queria aquilo! Sentia até vergonha de tanto tesão que nutria por aquele membro molhado. Lambeu uma vez, e foi quando algo aconteceu.Um estrondo assustou os dois amantes profanos. O vampiro estava meio extasiado ainda e não pôde virar-se rápido. Atrás dele a porta abriu-se de repente, onde uma mulher fitava os dois com o olhar enojado. Christine ainda ajoelhada olhou incrédula para a figura na porta, por detrás das pernas de seu vampiro erótico.-Irmã Celine? Madre?A mulher não disse nada. Atrás dela dezenas de silhuetas de mulheres se acotovelavam para saber o que acontecia no quarto da pecadora. Então Celine gritou:-Maldita criatura das trevas!O vampiro nesta hora já estava de calças novamente, refeito do susto. Jogou-se contra o mar de mulheres rosnando para assustá-las. A tática deu certo. As freiras se encolheram e o vampiro pulou para o andar superior. Antes mesmo que a Madre gritasse "peguem-no", ele já estava atravessando a janela e caía na noite...Irmã Christine nunca se sentiu tão perdida. Perdeu sua fé naquela noite, após as várias sessões de sexo com o vampiro. Percebeu de repente que não passava de uma pecadora miserável que trocou o seu voto em Deus por algumas míseras noites de prazer carnal. Ainda ajoelhada no chão frio, ela viu Irmã Celine e mais cinco freiras adentrarem seu quarto.-Ela conspurcou nosso santuário. Deve morrer. - sorriu Celine.Uma das freiras deu um passo em direção à Christine e a jogou na cama. "Amarrem-na!"O vampiro podia ouvir as vozes das freiras lá dentro. Estava sentado no telhado olhando para a lua cheia. Sofria junto com Christine, nesse momento. E sentiu pela primeira vez algo por ela. E não era apenas desejo nem sede de sangue. Chorou lágrimas vermelhas quando Christine começou a gritar. Não podia entrar lá de novo, pois agora as mulheres estavam preparadas para ele. Abaixou a cabeça e se concentrou no sofrimento de Christine...-Olhem essas mordidas profanas no corpo e no sexo dela! Será logo uma criatura das trevas! - gritou a Madre, com exagerada cerimônia. Uma das jovens freiras, afastada na penumbra num canto do quarto deixou nesse momento sua mãozinha escorregar discretamente para dentro da calcinha. A imagem da freira atada nua à cama, com o corpo cheio de chupadas, unhadas e mordidas era altamente erótica.-Vejam também os seios impuros, ela deve morrer!-Me soltem... - choramingava Christine. Fechou os olhos, e rezou por proteção. Apesar de saber de seus pecados, achou que Deus não a abandonaria. Mas mudou de idéia quando abriu novamente os olhos. Irmã Celine já erguia uma estaca de madeira sobre seu peito nu.-Não faça isso, estará me condenando, Madre! - gemeu a pecadora.-Já está condenada, irmã. Eu apenas sou a mão do destino!Irmã Celine desceu a estaca e afundou bem entre os seios de Christine. O sangue espirrou pelos lençóis da freira, e as outras mulheres no quarto viravam os rostos para não verem o resto...-Morra pecadora! - gritou - "Se não pôde ser minha, nunca será de ninguém!" - pensou logo após.No telhado, o vampiro sentiu toda a dor final de sua amante. Ficou ali por mais duas horas, e viu enfim duas freiras saírem com o corpo de Christine enrolado em lençóis úmidos de sangue. Jogaram a pobre numa valeta atrás da capela e jogaram terra por cima. Voltaram as duas para dentro, assustadas.Duas noites se passaram após a morte de Christine. Celine estava em seu quarto, penteando os cabelos. Era vaidosa, e poucas sabiam de sua atração por jovens noviças que ali passavam. Ela era cuidadosa em suas escolhas e a única que tinha desafiado seus encantos agora estava morta."Christine, poderia ter sido minha..."Olhava para o espelho quando ouviu algo animal, baixinho, quase imperceptível. Mas anos de vigilância sobre freiras fogosas fizeram de irmã Celine uma mulher com sentidos aguçados. Ela deixou o pente sobre a cômoda e foi averiguar. Abriu a porta e andou silenciosa pelo corredor. Checou todas as portas. Alcançou o saguão. Nada. O ruído sumira!Voltou ao seu quarto. Ainda sonhava com a luxúria que tinha presenciado. Irmã Christine ajoelhada, a boca cheia com o sexo daquela criatura das trevas, enquanto massageava lentamente as bolas dele e...Não terminou o raciocínio. Sentiu toda a pele de sua nuca arrepiar e por um segundo viu-se perdida. A mulher controladora que era foi pega de surpresa! O vampiro chiava baixinho atrás dela. Olhava fixamente para irmã Celine. Os olhos vermelhos injetados de ódio. Celine quis gritar, mas de alguma maneira, sabia que não podia. Foi tentando achar algo para atacar o vampiro, se afastando, até que caiu na cama. Ele sorriu, e se aproximou.-O que ela fez a você, maldita?-Ela pecou, mereceu a morte!-Sinto o cheiro do pecado em você também, Celine...-O que quer de mim?-Vim cobrar uma dívida de sangue, Madre.Celine era puro terror. Sentia vontade, mas não conseguia gritar. O vampiro montou nela e estraçalhou seu hábito negro. Ela tentava se debater, mas nada podia fazer.O vampiro mordia seus seios com volúpia. Mordeu forte seu mamilo esquerdo e o arrancou fora.-Ahhhh... - um débil gemido foi só o que Celine conseguiu emitir.A criatura mostrou os caninos afiados para sua presa, e caiu em seu pescoço. Ela sentiu muita dor quando os dentes perfuraram sua carne, e tontura enquanto ouvia o vampiro sugando todo seu sangue!-Pare, por... favor... por Deus..."Deus?" O vampiro continuou a chupar forte o ferimento. Sugou por quase cinco minutos e prolongou o sofrimento dela o máximo que pôde.Levantou-se por fim, olhando para a freira pálida e fraca, que tentava ainda se levantar em vão. Quase não conseguia erguer o braço mais. Viu o vampiro abrir suas pernas e sentiu algo invadir sua intimidade... Não sabia ao certo o que era, mas parecia que o sangue escorria de dentro de si também! Olhou em pânico para baixo, e viu o vampiro sugando sua vagina com a força de mil demônios. O sangue tingia seus lençóis com um vermelho forte, e a fazia se sentir cada vez pior. Antes de desmaiar, abriu os lábios, fez força, mas nada saiu deles.Acordou meio atordoada. Viu várias mulheres ao seu redor, e tentava em vão falar algo. Não podia. Viu-se deitada em forma de cruz na sua própria cama, e sangue por todos os lados. Antes mesmo que pudesse mudar de posição, uma freira desceu uma estaca que lhe varou o peito e só parou quando encontrou o colchão abaixo. Celine gritou enfim, como que liberta de algum encanto. Engoliu sangue e se engasgou nele...O vampiro cavou mais um pouco. Viu uma ponta do lençol branco que envolvia Christine na terra úmida pelo orvalho noturno. Tirou o corpo dela dos panos sujos. Christine já estava com os lábios e unhas roxos pela morte. A estaca ainda permanecia atravessada em seu peito. O vampiro pegou o pedaço de madeira com firmeza, e o retirou devagar. Não queria deixar cicatriz alguma naquela mulher.Passaram-se alguns minutos de inquietante silêncio. A lua banhava o corpo nu de Christine, largada pela vida nos braços do vampiro. Eis que então um olho azul se abre. A pecadora agora renascida tenta se erguer, mas ainda não consegue. Ele a abraça como uma espécie de proteção, e sussurra uma maldição noturna no ouvido dela.Christine levanta-se enfim, e olha fixamente para o vampiro. Anda um pouco nua pela floresta, olha em si mesma... e quando entende o acontecido, abre os braços pedindo outro abraço. O vampiro vem até ela, e os dois trocam o primeiro beijo sangrento de suas novas vidas...Em algum lugar, poucos metros dali, cerca de trinta mulheres dispostas em círculo queimavam o corpo mutilado e decapitado de irmã Celine...
OBS: "Monjas" provavelmente é o conto mais conhecido de Sistinas, a síntese da depravação da cidade. Todos os elementos básicos estão lá: o romance e a religiosidade distorcidos, o vampiro, o sexo animalesco...
Foi publicado originalmente em 15.06.00
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All hallows eve
Steve estava desanimado. Sua ex-namorada tinha passado todos os limites...
"Maldita depravada..."
Tudo começou no dia anterior, quando ele saiu mais cedo do trabalho e quis fazer uma agradável surpresa. Passou pela casa dela, já que não era muito longe de seu serviço.
Antes não tivesse ido.
"Ainda bem que eu fui!"
Sim, ainda bem que tinha ido, afinal. Até quando será que ela o enganaria? Ele sinceramente não sabia. Mas agora aquilo era passado. Assim como Lucy.
Mas era uma lembrança que incomodava. E como incomodava! Pediu mais um copo de puro whisky ao garçom. Queria afogar aquela lembrança de alguma maneira.
O garçom que colocou o copo na sua frente estava simplesmente ridículo. Fantasiado com uma roupa idiota, que quase o fez rir.
"Halloween" - lembrou-se.
Bebeu um gole, quando as lembranças da tarde anterior voltaram...
Steve chegou e viu uma movimentação estranha na casa dela. Quer dizer, estranhou pelo fato de não haver movimentação alguma!
Era um lugar barulhento, sempre havia crianças e muita bagunça na vizinhança de Lucy. Mas não naquela tarde. O carro dela estava na garagem, o que significava que estava em casa com certeza! Estaria dormindo? Não, sua namorada odiava dormir durante o dia. O que seria então?
Ouviu o som lá em cima ligado, numa música monótona, arrastada, quase que hipnótica. Sinal de que ela estava mesmo em casa. Bateu na porta, mas ninguém atendeu. Mexeu nos bolsos, tinha a chave da casa. Claro que tinha! Era sua namorada, não era?
Entrou de mansinho. Ela parecia estar lá no quarto, ouvindo aquela maldita música. Seria algum tipo de relaxamento? Subiu pelas escadas decidido a fazer uma surpresa. Viu no corredor apenas a porta do quarto aberta. Então, Lucy deveria estar fazendo mesmo o tal relaxamento...
"...Ou alguma ginástica emagrecedora. Essas mulheres!" - pensou, sorrindo.
Ensaiou silenciosamente sua entrada no quarto, e respirou fundo. Entrou de surpresa, rapidamente. Steve queria surpreender sua namorada, e conseguiu. Não era uma ginástica.
-Mas que porra é essa?
Lucy estava deitada no chão, como uma gata que se espreguiça. Estava totalmente nua, e um homem estava de pé ao lado dela. Segurava algo, com o qual molhava Lucy...
-Steve?? - assustou-se a mulher.
O homem que a acompanhava virou-se para a porta, assustado também. Segurava o próprio membro na mão, e dava um banho de urina em Lucy. A julgar pelos mamilos excitados dela, aquele devia ser o grand-finale de uma tarde de muitas loucuras!
-Meu Deus, que ridículo... - foi a única coisa que Steve conseguiu dizer.
-Que você está fazendo aqui? - perguntou Lucy, uma mistura de vergonha com indignação.
Enquanto isso, o misterioso homem procurava por suas calças, espalhadas no chão do quarto. E vestia-se em silêncio. Steve olhou com ódio para Lucy:
-Ainda tenho a chave. Mas, tome, não preciso mais dela. - disse, jogando a chave no chão.
Lucy não sabia nem o que dizer. Olhou para seu estranho parceiro, cabisbaixa.
-Continue seu banho de mijo... prostituta!
-Ei! Não fale assim com ela! - disse o estranho, abrindo a boca pela primeira vez.
Steve virou-se já acertando o melhor soco que pôde. Pegou em cheio a boca do estranho, e o derrubou.
-Cala a boca, seu filho da puta! - gritou Steve.
-Saia da minha casa! - gritou Lucy, em resposta.
Steve deu as costas e saiu do quarto. Ia mesmo embora, mas a vontade era de quebrar a cara daquela mulher. E ele achava que a conhecia. Tão tímida e recatada! Meu Deus...
Ouviu a voz do homem dizendo algo para ela. Olhou para trás, e não conseguiu se desviar do soco que levou na cabeça. Era a vez do estranho agora. Steve caiu no chão, meio tonto. Quis levantar-se quando levou um chute nas costelas. Perdeu o fôlego. Não conseguiu mais se erguer, até respirar era difícil. O cara devia ser uns dez anos mais jovem que ele. E era bem mais forte também.
Quase pôde ouvir a voz de Lucy sussurrar: "E muito mais tesudo e gostoso que você!"
Steve levou vários chutes, caído no chão. Nem dava para reagir. Nem respirava direito. Nessas horas pensava em parar de fumar. Irônico.
-Quer saber porque ela está comigo, né? É por que dou isso aqui à ela, seu corno filho da puta! - Dizendo isso, o estranho começou a mijar em cima de Steve! Lucy segurou um sorriso, e pediu para o estranho parar com aquilo. Era demais!
-Apenas quero esse homem fora da minha casa!
Steve foi jogado pela escada, e depois chutado para a rua. Tudo em silêncio. Em doloroso silêncio.
-Senhor? Mais uma dose? - perguntou o garçom.
Steve então acordou de sua amarga lembrança. Recusou o novo copo de whisky e pagou a conta logo depois. Levantou-se com dificuldades, ainda doía, e saiu do bar. Não tinha trabalhado naquele dia. Não sabia nem o que fazer. Sabia que se fosse atrás de Lucy, poderia até matá-la, e, definitivamente, ela mostrou que não valia à pena.
Passou pela porta do Devil´s Whorehouse. Viu várias mulheres se oferecendo. Prostitutas profissionais. A comparação com sua ex Lucy foi inevitável.
"A diferença é que Lucy não cobra. Além de vadia, é burra."
-Ei, gato! É noite de Halloween. Não quer realizar alguma fantasia comigo?
Steve viu o rosto de Lucy sobreposto ao rosto da mulher que o abordava. A bebida já mostrava seus efeitos.
-Claro, por que não? - sorriu, aceitando.
-Então vamos entrar? Podemos beber algo e ficarmos sozinhos. Vamos?
Steve abraçou a mulher, e entraram no Devil´s. Lá dentro, sentaram-se num camarote privativo. Ele tentava, mas não parava de pensar em Lucy. Achava que precisava matá-la.
-Eu queria pedir algo...
-Claro, gato. Comigo é apenas uma questão de preço. Faço e topo tudo.
-Posso mijar em seu rosto?
-Hummm. Isso eu nunca fiz. Sairá meio caro, amorzinho.
-Eu posso pagar.
A garota de programa pensou mais uns instantes.
-Tudo bem. Quer me molhar agora?
-Sim.
-Quero mexer nele um pouquinho, posso?
A mulher fechou as cortinas negras do camarote, e ajoelhou-se na frente dele. Desceu as calças de Steve, e encostou a boca...
-Vou te chamar de Lucy, vadia...
-Humpf... - ela resmungou, a boca ocupada.
Steve relaxou na poltrona. Sentiu-se homem novamente. Desde a tarde de ontem, sentia-se um filho da puta impotente e traído. Agora não. Segurou os cabelos da mulher, controlando os movimentos. Em pouco tempo gozou na boca dela.
A mulher passou a língua pelos lábios, e tirou cuidadosamente a roupa, pedindo:
-Vai... Me molha agora. Faça sua vontade. Realize seu desejo. É halloween!
"Sim. Maldita noite de halloween."
Steve levantou-se, e de pé começou a urinar no rosto dela. Sentia como se uma grande frustração escorresse para fora do seu corpo, junto com o mijo quente.
-Engole Lucy. Bebe.... quero que beba!
-Está maluco? E não me chame de Lucy!
-Estou pagando, sua puta! Te chamo do que quiser! Agora bebe. Abra a boca!
-Socorro!
Instantaneamente, a cortina se abriu, e surgiu um enorme segurança da casa.
-Que pensa que está fazendo, homem? Deixa a mulher em paz!
-Eu paguei! Quero que ela beba!
A mulher já tinha juntado suas roupas, e saído correndo do camarote.
-Meu Deus, cara. Isso é doentio. Qual o seu problema? Saia da casa, e não volte mais!
Steve ainda argumentou com o segurança. Desculpou-se pelo comportamento, e pediu para ficar.
-Fique no bar, cara. Mas não beba muito. Estou de olho em você, ok?
Deu uma piscada desafiadora para o segurança, e sentou-se no balcão. A casa estava em festa. Plena festa de Halloween. Mulheres, homens e garçons desfilando, todos em suas fantasias estúpidas.
Viu então a mulher mais bonita da noite, escondida por detrás de uma simples máscara. Vestia plumas nos ombros, e um vestido branco tão lindo quanto ela.
-Posso me sentar com você? - ela disse, se aproximando.
Steve olhou desconfiado.
-Ei, não se preocupe. Não sou das que cobram. Estou aqui apenas para conversar, dançar, beber e me divertir... E você?
-Eu estou aqui por... Sei lá. Eu queria mijar em alguém! - soltou Steve.
-Como é? Me paga um drink e me conta essa história direito? - sorriu a mulher.
"Vadias" - pensou Steve, enquanto erguia o braço chamando o garçom. Conversaram durante alguns minutos. Em certo momento, ela o convidou para outra festa.
-Lá tem algumas amigas minhas que vão adorar você. Que tal?
Steve aceitou sem pensar. Parecia ser a coisa certa. Queria qualquer coisa, menos voltar para casa. Voltar para casa significava ficar pensando em Lucy. Ele não queria isso.
-Vamos sim! Quando?
-Agora. Venha comigo.
Quando Steve entrou no carro da mulher, estranhou o fato do mesmo estar sem placa. Mas soltou-se no banco, e seguiu até uma casa afastada do centro. Era um subúrbio de Sistinas, que ele nem ao menos conhecia.
-Vamos entrar. É aqui.
A festa estava mesmo animada. As pessoas não usavam fantasias, apenas algumas poucas circulavam mascaradas, e tinha muita mulher bonita. Steve gostou do que viu. Se todas fossem receptivas como sua companheira, não passaria a noite sozinho.
-Fique aqui, vou buscar algo para você beber. - ela disse.
Steve sorriu, e encostou-se na porta de entrada. Varreu o lugar com os olhos, quando viu sentados no sofá Lucy e seu novo namorado! Saiu depressa de vista, encostando do lado de fora. E agora? Ia lá e partia a cara dos dois? Ou buscava um revólver em casa, e entrava atirando?
-Olha o drink! - disse a mulher de branco, chegando de repente.
-Moça, olha... não estou bem. Preciso ir agora, certo? Foi um prazer!
-Ei! Vai embora assim? Fique, por favor.
-Não, obrigado. Preciso mesmo ir.
A mulher continuou parada na porta, enquanto Steve saía rapidamente pela rua. Ia passando um táxi, por sorte, e ele embarcou. Da porta, a mulher de branco olhava desanimada.
-Quem era? - perguntou um homem, ao lado dela.
-Uma presa que peguei na noite. Era perfeito para nós. Solitário, triste, decepcionado com alguém ou algo que não sei o que é. - ela respondeu.
-Por que deixou que ele fosse?
-Não sei, Doutor. Desculpe. Ele simplesmente não quis ficar.
-Será que ele percebeu algo?
-Acho que não. Não mesmo.
-Tudo bem. Volte para dentro. Preciso de você para selecionar as cobaias.
-Certo, Doutor.
A mulher entrou novamente para a festa, deixando a rua deserta.
No táxi, Steve estava inconformado.
-Preciso voltar lá.
-Onde, rapaz? - perguntou o motorista.
-Naquela festa.
-Quer que eu dê meia volta?
-Não. Me leve para casa. Vou me vestir direito, e voltamos aqui, ok?
-É o freguês quem manda!
Steve desceu em sua casa, trocou rapidamente de roupas, e pegou uma antiga máscara de halloween que tinha guardada. Voltou ao táxi, e à festa. Pensou em ir armado, mas desistiu. Lucy não valia à pena mesmo.
Desceu do táxi no outro quarteirão, e foi até a casa andando. Não queria chamar a atenção. Vestiu a máscara, e entrou pelos fundos. A festa ainda estava à todo vapor, e tinha muito mais pessoas que antes. Ficou até fácil entrar desapercebido.
Steve deu a volta pela sala, e sentou-se bem em frente à Lucy e seu rapagão. Como ele esperava, mascarado e de roupa diferente, ninguém o reconheceu. Viu quando a sua amiga de branco passou por ele, com dois copos na mão e entregou ao feliz casal. Que estranha bebida seria aquela? Steve contentava-se em apenas observar. Os dois faziam gracinhas, riam muito... É, Lucy parecia feliz. Muito feliz.
Ele viu também quando o seu rival pareceu meio sonolento e caiu no colo de Lucy. Ela acariciava os cabelos dele com muito carinho, e sorria. Ela também lhe pareceu sonolenta...
Mas Steve resolveu sair. Não queria mais ver aquilo. Foi abrindo caminho entre as máscaras, e saiu da festa escondido. Andou despreocupadamente pela calçada, até passar o táxi que o levou para sua casa.
Entrou em silêncio. Tirou a roupa, sem vontade de tomar banho. Deitou-se na cama, que lhe pareceu mais vazia e fria do que nunca.
"Maldita noite de halloween."
Adormeceu.
Acordou com o telefone tocando. Olhou instintivamente para o relógio. Já era tarde, se os ponteiros do relógio estivessem certos.
-Alô?
-Por favor, é o Sr. Steve?
-Sim, sou eu mesmo.
-Poderia comparecer até nosso hospital?
-Como? Porquê?
-Veja bem, explico direito aqui. Mas encontramos uma mulher hoje, e ela está mal. Seu telefone estava na carteira dela, e foi o único número que achamos.
-Estarei aí em meia-hora.
Desligou o telefone e tomou uma ducha. Estava desperto, e bem melhor que ontem. Vestiu-se, e pegou seu revólver. Não gostava de andar armado por que não era licenciado. Mas, agora, parecia ser a coisa certa. Em vinte minutos chegou ao hospital central de Sistinas.
-Senhor Steve? Venha comigo, por favor. Ela está mal. Pediu para falar com você.
-Lucy?
-Sim, a paciente chama-se Lucy. Apenas a tranqüilize, depois conversamos, ok?
-Mas, o que houve?
-Aparentemente, ela e o amigo caíram numa armadilha. Existe à solta por aí uma turma de médicos mal-intencionados, que extraem órgãos para venda no mercado negro. Eles organizam festinhas e pegam pessoas solitárias pela noite. Depois enchem a vítima de drogas, e roubam os órgãos. Agora, com licença, preciso atender uma emergência, certo?
-E o que roubaram dela?
O médico desapareceu pelos corredores do hospital, com sua prancheta debaixo do braço. Steve viu-se parado em frente ao quarto com dois leitos.
-Lucy?
-Steve? É você? Entra!
Entrou, fechou a porta, e olhou para sua ex-namorada na cama hospitalar. Ela estava pálida, com aquelas roupas brancas, que pioram o aspecto das pessoas.
-Que houve?
-Eles arrancaram, Steve. Eles me cortaram...
-Calma, Lucy. "Eles" quem?
-Fomos numa festa ontem, de halloween... Nos drogaram. Acordamos num motel sujo, nus, dentro de uma banheira cheia de gelo!!
Steve viu o seu rival, deitado no leito ao lado. Parecia semi-morto. Todo arroxeado.
-Mas o que fizeram com vocês?
-Eu não sei... Acordei com o Will deitado ao meu lado. Estávamos mergulhados em pedras de gelo. Li um bilhete colado no vidro, pedindo que eu ligasse para um hospital, senão morreria. Eu liguei para cá, e me pediram para voltar à banheira, e ficar imóvel. Meu Deus, eu olhei para o Will, e vi dois cortes horríveis nas costas dele! E resolvi checar em mim... Eu também tinha sido cortada!! - chorou Lucy.
-E...?
-Os paramédicos nos retiraram de lá. Eles... droga, Steve! Eles tiraram meus dois rins!!
-Como é?
-A festa era uma armação! A casa era alugada! Está vazia hoje! Veja o que fizeram comigo!!
Steve viu então os tubos que estavam ligados às costas de Lucy. Era macabro.
-E com Will, fizeram o que?
-Tiraram mais coisas dele. Os dois rins, e acho que outros órgãos também, tadinho...
-Que irônico. O cara que mijou em mim está sem seus rins... - sorriu Steve.
-Quê? Você ainda tem coragem de brincar conosco?
Steve foi até o leito de Will e ergueu o lençol. O rapaz estava imóvel. Se não fosse a respiração irregular, diria que já estava morto.
-Que está fazendo?
-Algo que eu preciso fazer. - dizendo isso, Steve abaixou as calças e mijou no corpo de Will. Nunca antes urinar foi tão prazeroso!!
-Filho da puta! Veio aqui para rir da desgraça alheia?? Por isso que eu traí você! E não sinto remorso. Trairia de novo, se tivesse oportunidade!!! - gritou enraivecida Lucy.
Steve levantou a camisa, e mostrou seu revólver guardado por baixo dela. Lucy calou-se. Percebeu o que ele viera fazer no hospital. Brincar com os dois.
-Só não te mato, sua putinha inválida, por que você não vale à pena. Nunca valeu. E agora, mais do que nunca, você viverá sua vida. E viverá com sofrimento.
-FILHO DA PUTA!
-Começo a acreditar em Deus! Aquela conversa toda, sabe? Aqui se faz, aqui mesmo se paga! Boa sorte, Lucy. Espero que apareçam doadores com rins compatíveis. Nos próximos quatro anos! Hahaha!
Steve fechou a porta, e saiu pelo hospital, cantarolando. Era o dia de sua realização. No fundo, sentia-se mal por "rir da desgraça alheia", mas estava muito satisfeito!
Quando saiu do prédio do Hospital Central de Sistinas, não sabia se ia para casa. Então resolveu andar pelo centro. Passou pelo famoso club Princess of the Night. De dia, não era tão imponente assim. Uma noite dessas ele viria por aqui, para ver se encontrava mesmo alguma personalidade. Por um instante, pensou se a "antiga Lucy" gostaria de vir com ele.
-Ei? Não nos conhecemos?
Steve olhou para trás, e lá estava ela. Era a mulher de branco de ontem à noite!
"Deus definitivamente existe!"
-Oi? Quem é você mesmo? - disfarçou.
-Ah, não se lembra? Sua companhia de ontem à noite. Eu te levei numa festa super legal e você quis ir embora. Está lembrado? Ou bebeu demais ontem? - ela sorriu.
-Sim, eu me lembro. É que passei mesmo mal.
-Olhe, eu sou enfermeira. Posso cuidar de você, se quiser. Que tal?
Steve pensou um pouco. Escapou por pouco da primeira vez. Ele poderia estar agora no hospital, sem seus rins... Mas agora estava armado, e não beberia nada que lhe dessem.
-Onde? - perguntou, enfim.
-Em minha casa. Eu só trabalho de noite. Vamos?
No caminho, conversaram sobre amenidades. Ela morava em um apartamento. Coisa luxuosa, mas desarrumada. Parecia estar de mudança. Steve entrou, e sentou-se no sofá da sala.
-Espere-me aqui. Vou tirar essa roupa de cooper...
-Você acabou de mudar-se?
-Na verdade, pelo meu emprego, eu não paro muito nos lugares. Não fixo residência. Sempre estou mudando, chegando, saindo, vindo, entende? Me dê um minuto, preciso fazer uma ligação.
Quando ela sumiu para o quarto, ele se aproximou levemente, tentando escutar...
-Olha Doutor! Eu não cumpri minha cota ontem, certo? Estou cumprindo hoje. Sim, ele está aqui. Quem? O cara que fugiu ontem. Que horas você chega aqui?
Steve começou a entender direito...
-Daqui a três horas está bom. Vou dar algo para ele apagar. Quero os U$30.000 depositados na minha conta ainda hoje. Claro! Estou arriscando trazendo em minha casa! Acabo de chegar e já terei que me mudar daqui! Te espero. Tchau, Doutor.
Steve voltou para o sofá, fingindo desinteresse. "Que vaca!" E ela voltou para a sala com uma roupa mais sóbria, e perfumada.
-Olhe, beba isso. Vai melhorar seu mal-estar.
-Não.
-Por que não? É alérgico?
-Por que não vou ser burro para beber isso. Eu voltei à festa ontem, sabia?
A mulher emudeceu.
-O casal que você drogou ontem, eles estão no Hospital Central de Sistinas. Não que eu me importe, mas estão vivos graças a aparelhos. Você e o "bom Doutor" acabaram com duas vidas em uma única noite!
-O que você quer?
-Dinheiro. E se você tiver órgãos aqui, eu quero também. - disse Steve, sacando o revólver.
A mulher deu à Steve uma caixa onde estavam guardados três pares de rins. Seriam da noite anterior? Deu também um pacote cheio de notas grandes.
-Tem mais uma coisa que eu quero.
-E o que é, seu ladrãozinho filho da puta?
-Ajoelhe-se. Eu quero mijar em você... - ele respondeu, sorrindo.
Steve dirigia seu carro novo pela rodovia expressa de Sistinas. Quem diria, uma única noite mudou sua vida! Deixou os rins numa caixa de correio, e ligou para o Hospital, avisando-os. Logo Lucy teria seus rins de volta. E Will também. Isso amenizava um pouco a sensação de que ele "ria da desgraça alheia".
Já a enfermeira... Acho que o tal "Doutor" irá matá-la quando descobrir que ela perdeu órgãos e todo o dinheiro da quadrilha. Provavelmente, será encontrada em algum leito de hospital, sem seus próprios rins, ou, pior ainda, será executada pelos "médicos assassinos".
"Quanto a mim, bem, U$180.000 e uma bela mijada na cara de uma linda vadia metida à médica. Nada mal para um dia só!"
Steve sentia-se muito bem. Pisou mais ainda no acelerador, e seguiu, feliz, por entre a tarde de sol de Sistinas...
OBS: "All hallows eve" é minha homenagem ao famoso email que circulou na web sobre a pessoa que acorda numa banheira cheia de gelo e com os rins retirados. Uma clássica lenda urbana de nossos tempos.
Foi publicado originalmente em 30.10.00
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O templo do amor
"E o demônio em vestes negras observa
Meu anjo da guarda se afasta
A vida é curta e o amor sempre termina pela manhã
Vento negro sopra me levando para longe..."
Temple of Love - Sisters of Mercy
Querida? Você está pronta?
-Sim, meu amor. Estou arrumada e cheirosa. Espero fechar um bom negócio hoje. Pena não poder ir comigo.
-Eu só te atrapalharia. Pode ir que eu cuido das crianças.
-Ainda dá tempo de jantar com vocês. Podemos?
-Claro, podemos sim.
Cindy desceu até a sala de jantar. Suas crianças esperavam na mesa, juntas com seu fiel marido. Sorriu para os três, em especial para sua menininha linda. Chamava-se Cindy, assim como ela mesma. Uma exigência do pai.
-Hoje mamãe chegará meio tarde. Sejam obedientes, hein?
As duas crianças olharam para o pai com cumplicidade. Acho que aprontariam hoje...
-Pode ir tranqüila, querida. Apenas deixe o celular ligado. As crianças ficarão bem.
Cindy então concentrou-se na comida. Costumava alimentar-se muito bem, a fim de manter sua performance.
-Mamãe.
-Sim, minha filha?
-Traz uma gostosura para mim? Algo bem doce, beem grande, beeem recheado?
O pai soltou uma gargalhada, e acariciou a cabeça de sua filha. Soltou um olhar vibrante para a matriarca Cindy. Era uma mulher e tanto. Muito bonita mesmo! Ainda não entendia o que Cindy via nele. Poderia ter o homem que quisesse, mas vivia com ele. Apenas pediu uma coisa, que ele se lembrava perfeitamente: "Nunca me faça perguntas."
-Claro que mamãe trará, amorzinho. Para você e para seu irmão! - disse Cindy, interrompendo os pensamentos do marido. Levantou-se da mesa, e deu um beijo em cada filho, e depois um apaixonado em seu marido, e saiu da sala de jantar.
Quando a porta principal da casa se fechou, após a saída de Cindy, o menino olhou para o pai e perguntou, com toda a inocência de seus sete anos de idade:
-Papai, será que ela demora para voltar?
Meia-hora depois, Cindy estava sentada em frente a um casal, à meia-luz. O ambiente estava meio esfumaçado, mas ela sabia que não era cigarro. Uma névoa esquisita, sem cheiro algum. Quis esquecer esse detalhe, e então falou com o homem:
-Regra número um: Não pode me deixar marcas. Eu odeio arranhões, chupadas ou beliscões!
-Algo contra mordidas? - sorriu Victor.
-Desde que não me deixe marcada, nada contra. Regra número dois: Sempre com camisinha! Você pode introduzir o que quiser em mim, onde quiser, mas sempre com camisinha, certo?
-Você é uma prostituta chata... - o homem concluiu.
-Tem mais uma coisa. Eu não engulo esperma. Não importa o preço que você pague.
-Que porra, Emily! Você arranjou uma mulher muito exigente! - explodiu Victor.
-Digamos que ela foi bem recomendada, querido.
Cindy sorriu:
-Modéstia à parte, eu só freqüento os melhores lugares, com as melhores pessoas. Comigo vocês podem ter certeza de trabalho bem feito, e sem risco de pegar doenças. Faço exames periódicos.
-Como se eu me preocupasse com contaminações...
-Quieto, pare de resmungar Victor! Eu gostei dela. Tão bonita, tão saudável...
-Você transaria com minha mulher? - perguntou Victor.
Cindy ajeitou-se na cadeira, enquanto olhava demoradamente para Emily. Parecia analisar tudo. Suspirou e por fim falou:
-Claro. Você tem uma linda esposa.
-Então leve-a para nossa suíte, querida.
Emily levantou-se, e pegou a prostituta pela mão. "Quente". Entraram na suíte, luxuosa, com o teto em forma de pirâmide transparente. A luz do luar banhava a cama. Cindy, a senhora "freqüento os melhores lugares", não pôde deixar de admirar:
-Nossa, quanto requinte! Que lugar é esse? O templo do amor?
-Não querida, é o templo do sexo mesmo. Amor é a pior lenda em que podemos acreditar.
Cindy deu uma risadinha amarela, e as duas mulheres aninharam-se na cama. Victor entrou depois e fechou a porta. Sentou-se num banquinho à distância, quieto.
-Vou te devorar, você é uma putinha deliciosa.
Cindy observava para a figura de Victor sentado, no escuro. Por um momento poderia jurar ter visto um brilho avermelhado no olhar dele, que acompanhava as duas.
-Quero ver seu corpo. Que tal tirar essa roupa? - propôs Emily.
A mulher foi se despindo, lentamente, num ritual que já conhecia bem. Ela gostava de tirar a roupa, desde a infância. E o melhor: SABIA tirar a roupa. Ser uma puta profissional parecia estar no sangue desde muito cedo!
Victor estava imóvel no seu banquinho, que aliás, era feito especialmente para isso. Nunca negou a excitação que sentia quando via sua parceira com outro. Já perdera a conta de quantos homens e mulheres dividiram a cama com sua Emily.
"Pedaços de carne" - ele pensou.
Emily agora cobria seu corpo apenas com o fino lençol de cetim e uma calcinha. Abraçava Cindy com uma volúpia sem igual. Victor imaginava como sua amada estava louca para pregar os dentes naquela putinha macia!
-Ele nunca participa? - perguntou Cindy, de repente.
-Às vezes. Mas gosta muito de observar. - respondeu Emily.
-Queria ele aqui também, sabia? Nessa cama conosco, me alisando, mexendo em minhas carnes, me bolinando... - Cindy sabia quando mexer com os ânimos dos clientes.
"Patética" - pensou o homem, concentrado.
-Ele não vem. Mas garanto que não gostaria dele. Como eu poderia definí-lo? Muito animalesco para você, acho.
Cindy sorriu maliciosamente para Emily, e desceu a boca até os seios dela.
-Eu gosto de ser machucada de vez em quando. Chame seu marido.
A vampira olhou em silêncio para Victor, e ele negou com um gesto frio.
-Esqueça-o, querida. Vamos, morda meus seios, brinque com eles.
Cindy fechou os olhos, e colocou o seio dela na boca. A carne era estranha, tinha uma textura esquisita. Seria uma prótese? Siliconada? Esqueceu as dúvidas, e pensou em trabalhar. Mordia um seio e dedilhava o outro, com leves beliscadas no mamilo.
Emily arqueava o corpo, controlando uma fome enorme. Queria cravar logo os dentes naquela mulher, mas queria também aproveitar um pouco dela.
A profissional desceu a boca, correndo a língua pela barriga, até alcançar as coxas, e a virilha. Emily abriu as pernas instintivamente, e aceitou o beijo que ela dava em sua intimidade. Jogou a cabeça para trás em êxtase, e começou a puxar os cabelos de Cindy.
Victor não esboçava reação alguma. Na verdade, parecia entediado. Achava que precisava ver aquilo mas agora sabia que não era mais suficiente. Precisava de coisas mais excitantes. Levantou-se e saiu da suíte. Cindy ouviu apenas a porta abrir e fechar. Quis levantar a cabeça para ver, mas a mão de Emily forçou sua cabeça.
-Continue, putinha.
Aquilo foi um comando. Cindy, de repente, só queria continuar chupando, lambendo e beijando a intimidade daquela mulher.
-Que língua gostosa que você tem, e rápida também. Gosto de línguas rápidas.
Cindy lambia muito. Não gostava daquilo, mas já estranhava o fato da mulher não molhar sua boca. Nem sinal da lubrificação natural de mulher excitada. Cindy lambia as carnes mais profundas de Emily, chupava, puxava por ela entre os dentes, e nada acontecia.
"Mas ela parece tão excitada!" - pensou.
Mas os sintomas não apareciam. Cindy não sentia as contrações, o líquido vaginal escorrer, nem o corpo da estranha tremia... nada.
-Acho que vou arrancar sua língua. Eu a quero para mim.
Cindy se assustou pela maneira como ela falou aquilo. De repente, temeu não voltar para casa, não encontrar sua menininha nem seu filhão. Nem voltar para seu marido, tão fiel e que nunca perguntava nada. Tentou erguer-se.
-Nem pense em parar...
Cindy sentiu-se mal. Percebeu que não tinha escolha. Continuou a lamber a vampira, mas agora de maneira fria, sem vontade. Tinha medo de enfurecê-la, mas simplesmente não podia continuar.
-Esse celular é seu?
Cindy entrou em pânico, e levantou a cabeça.
-Não faça isso... - choramingou.
-Você não está trabalhando direito. Seu marido pode ficar desapontado.
O mundo de Cindy desabou. Ela não sabia se chorava, ou se tentava ficar indiferente.
-Ele está em casa agora, não é? Cuidando das crianças, não é Cindy?
A mulher desabou a chorar, sabia que estava perdida. Ela sabia de tudo... Chorava convulsivamente.
-Que tal continuar? Sabe, é uma carícia preciosa. Eu gosto de ser lambida...
Cindy abaixou-se obedientemente, mas não sabia exatamente o porquê. Quando encostou os lábios novamente na mulher, percebeu o que ela era enfim. A carne era gelada, arroxeada, e cheirava à morte! Ela tentou afastar-se de Emily.
A vampira soltou uma sonora gargalhada, ainda segurando o celular. E Victor voltou à suíte, quando percebeu o que acontecia. Será que Emily enfim tinha arranjado uma diversão?
-Querido, cuide de nossa convidada sim? Eu preciso fazer uma ligação!
Victor agarrou a profissional com violência. Colocou a mão na boca dela, e sorriu. Emily discou um número no celular, e aguardou.
-Olá? Quem está falando? Paul? Eu quero falar com o marido da Cindy...
Cindy choramingava baixinho. Soluçava.
-Ah, é você mesmo? Eu sou uma amiga dela. Queria te perguntar uma coisa. Você sabe onde ela está agora? Não? Ah, ela está aqui comigo. Sim. Fazendo o quê? Você realmente não sabe?
Victor começou a alisar Cindy, apertava o seio dela com a mão livre.
-Meu parceiro está alisando ela agora. Sabe, pagamos pelo serviço dela. Ela é uma prostituta de luxo. Gostamos dela. Paul? Não acredita? Uma prova? Ela está nua aqui, sendo bolinada pelo meu parceiro. Sabia que ela pediu por isso? Cindy é muito safada. Sabe o nome que ela usa quando está trabalhando? Cybele, um lindo apelido, não?
Victor desceu a mão pelas coxas da mulher, e apertava...
-Cybele tem uma tatuagem interessante, perto do umbigo. Ah, você começa a acreditar. Sabe que ela está usando uma calcinha super especial hoje? Sabe qual é não? Aquela preta, minúscula, é mesmo muito provocante essa sua esposinha...
Cindy estava dominada. Nem sabia o que fazer. Sentia as mãos do vampiro percorrendo seu corpo, e o hálito dele na sua nuca. E quase podia sentir a angústia de seu marido Paul do outro lado da linha.
-Ops! Acho que você não gostaria de saber onde está o dedo de meu parceiro agora. Ele gosta de, digamos, provar o que vai comer antes. Que comparação infame, me desculpe! Como? Ainda não acredita? Quer ouví-la? Simples, basta não desligar o telefone. Eu vou deixar que ouça. Quer mesmo? Bom, é uma escolha sua!
Victor tirou os dedos de dentro de Cindy, e lambeu com prazer... Depois a colocou na cama, ainda com a mão tapando sua boca. Com um gesto rápido, tirou a própria calça e deitou-se por cima da mulher. Movia-se de um lado para outro até que conseguiu encaixar-se nela.
Porém, Cindy não estava devidamente lubrificada. Estava com medo, acuada, toda contraída, e o vampiro não conseguia penetrá-la.
Paul, o marido, aguardava na linha. Só ouvia o silêncio do outro lado. Estava achando que acordaria daquele pesadelo. Sabia que sua esposa guardava um segredo, mas não queria que fosse esse... "Uma prostituta!" Então ouviu enfim a voz de Victor:
-Vou te arrombar, putinha. E você vai acabar gostando!
-Paul, está ouvindo? Meu parceiro está começando a brincar com sua esposa!
Cindy sentia o vampiro em cima dela, pesado, forçando uma entrada. Estava sendo dolorido mesmo, e ela resolveu ceder antes que se machucasse mais ainda. Pensava, ou tentava pensar, em Paul.
-Oh, ela é bem quentinha! Ops! Estou sem camisinha! - zombou Victor.
Emily sorriu e deu um tapa no bumbum de seu vampiro. Gostava demais dele, e dessa selvageria. Ouvia atentamente o celular, mas Paul não dizia nada. Não tinha reação alguma.
-Seu marido está na escuta, Cindy, vai, aproveita. Sei que você está gostando. Não? Eu estou! É muito gostosa, por isso cobra tão caro... Emily! Diga ao coitado do marido que eu paguei até o último centavo! E está valendo muito à pena!
-Paul? Ainda está aí? Está ouvindo esses gemidos baixinhos? É sua mulherzinha. Ela está sendo penetrada. E está colaborando. Meu parceiro está por trás dela, enfiando e tirando. Nossa. Está muito bom isso... Paul?
Silêncio.
-Vai me dizer que o filho da puta do seu marido também está gostando? - gritou Victor.
Cindy não sabia mais o que estava sentindo. O vampiro machucava, a penetração estava sendo difícil, mas nada doía tanto quanto aquela humilhação toda.
-Paul? Ele está apertando o bumbum dela. Parece gostar disso. Ela deixava você apertar tanto assim? Ei, fala comigo. Quer que eu desligue?
Paul sinceramente não sabia o que dizer. Queria escutar o que estava acontecendo do outro lado, mas era doentio demais. O pior era não saber se sua esposa estava gostando daquilo ou não...
-Vem, putinha, agora você vai ficar de quatro. Apóie-se aqui. Vou deixar sua boca livre... Aposto que você quer gritar, né? Pode gritar a vontade. Nada e nem ninguém, pode te ajudar!
Emily olhava com enorme interesse no casal. Por um minuto sentiu uma pontinha de ciúmes pela maneira como Victor tratava a tal putinha, mas o bizarro da situação a agradava!
-Paul? Me ajude, por favor! - gritou Cindy.
-Sim, Paul! Faça alguma coisa! Logo vou colocar algo na sua boca e ela não poderá gritar mais!
Uma lágrima escorreu pelo rosto do marido. Ele ouviu pela primeira vez a voz dela. Teve certeza enfim, mas... não sabia o que fazer!
Emily soltou o celular ligado na cama, e foi para a orgia também. Lambia as costas de Cindy, enquanto seu parceiro penetrava furiosamente a mulher. Paul ouvia a tudo em silêncio. Um ruído perturbador parecia mais alto que os outros. Era a vampira. Deitou-se por debaixo de Cindy, e começou a mamar nos seios dela. Sugava com força até que o sangue começou a brotar também...
-OH, Meu Deus! Paul! Socorro! Estou sangrando!!!!
Victor enlouqueceu de tesão. Segurou os cabelos de Cindy e começou a puxar. Puxava com toda a força que tinha. A mulher arqueava as costas ao máximo, enquanto era devorada por Emily. A vampira mordia com força, e rasgava os mamilos da mulher. Cindy involuntariamente estava à beira de um orgasmo selvagem, inconsciente, mas poderoso.
Não conseguia mais falar, nem gritar por socorro. Era forte demais o que estava sentindo. Um misto de ser dominada ao extremo, ser violentada e devorada. O medo, tudo a deixava mais excitada.
-Vamos putinha... Goza, se solta!
Paul continuava mudo. Sabia que algo estava para acontecer. O barulho de sua esposa sendo sugada pela vampira, somado às batidas secas do corpo do vampiro nas nádegas dela estavam lhe deixando maluco!
Até que enfim aconteceu. Cindy soltou um grito, e gozou como nunca antes. Um orgasmo exagerado, explosivo. Ela se contorceu toda, também banhada de suor...
-Nossa, Emily, olha como ela gozou! Me deixou todo molhado! Olha o meu cacete! - disse o vampiro, retirando seu membro de dentro da mulher. Emily não estava ouvindo. Continuava a sugar os seios de Cindy. Saía muito sangue, os lençóis já completamente tingidos.
-Ei Paul! Sua esposa é fantástica! Duvido que ela tenha gozado assim com você, cara! Como ela é gostosa!! - gritou Victor no celular.
(CLICK)
-O filho da puta desligou!
Cindy estava quase desmaiando. Quando ouviu que seu marido tinha desligado o celular, sentiu que seu último elo com o mundo havia se quebrado. Estava condenada.
Victor soltou seu quadril, ela caiu pesadamente por cima da vampira. Percebeu quando Emily saiu debaixo dela, e a deitou estirada na cama. A vampira voltou a atacar os seios, e já tinha a boca toda pintada de sangue.
Antes de morrer, Cindy ainda viu Victor beijar Emily, trocando lambidas vermelhas. Depois ele abriu suas pernas, e mordeu com força os lábios vaginais. Foi a última coisa que ela sentiu...
As crianças acordaram com a agitação na sala, e foram ver o que era.
-Papai?
-Sim, meus filhos?
-Para que essas malas? Vamos viajar?
Paul sabia, de alguma maneira, que sua esposa estava morta, e que ele seria o próximo. Infelizmente nem daria tempo de enterrá-la. Precisava sair da cidade!
-Sim, filhinha, nós vamos viajar!
-E a mamãe?
-Eu explico no caminho, crianças.
-Quer dizer que ela não trará meus doces?
Paul suspirou, e sentiu vontade de chorar, mas respondeu.
-Não, minha pequena Cindy. No caminho prometo que compro seus doces.
Dizendo isso, pegou seus filhos e saiu da casa. Pegou a estrada e deixou para trás a cidade amaldiçoada de Sistinas...
OBS: O nome do conto "O templo do amor" vem da música do Sisters of Mercy, uma de minhas favoritas de todos os tempos. E essa foi a estréia do casal sádico Victor e Emily em Sistinas.
Foi publicado originalmente em 10.03.01![]()
Nadya
"A primeira me disse: 'Não tenha medo... Eu lhe darei a imortalidade, e graça para sua alma'.
A segunda tinha olhos de ouro. Ela me deu minhas asas.
E a terceira deu toda a sabedoria que um anjo poderia me dar."
Samarithan - Candlemass
Amulher acorda, assustada.
Olha ao redor, paredes brancas. Respira fundo. Apesar da aparência fria do lugar, ela está quente. Está viva!
Teve um sonho esquisito, sonhou com asas, chifres... Coisas que nem saberia descrever!
Tentou levantar-se, devagar. Seu corpo doía muito, em especial seu peito. As luzes estavam apagadas, mas ela parecia enxergar muito bem sem luz. Jogou no chão o lençol branco que a cobria, e levantou-se.
Haviam várias mesas, e um corpo em cada uma delas, alguns queimados, mutilados.
Mas tinha uma outra mulher, na mesa do canto. Parecia estar sorrindo, como se estivesse muito feliz... Mas não estava.
Ela, e todos os outros, estavam mortos.
"Que lugar é esse?"
Instintivamente, a estranha checa seu próprio corpo. Como que esperando estar dilacerada também, apesar de saber, ou pensar saber, que estava viva. Seu peito estava perfurado. Um buraco grande, que estranhamente não doía. Passou a mão, temerosamente. Só quando tentou enfiar o dedo para saber a profundidade do buraco, é que ela sentiu alguma dor.
Olhou novamente ao redor. Nada de roupas! Pegou um lençol, e se enrolou nele. Já sabia que estava num necrotério, mas como chegou ali?
Precisava pensar. Será que estava presa? Alguém abriria se ela simplesmente batesse? Foi andando até a porta, e olhou por uma janelinha de vidro, que se abria no meio dela.
O que viu foi apenas um corredor escuro, mergulhado em silêncio. E a estranha percebeu nesse momento que podia ouvir muito mais do que o normal. O vento. Sentia o vento ondulando tudo, naquele silencioso quarto, ela podia ouví-lo!
Abriu a porta, e saiu. Olhando para os lados, viu seu reflexo no vidro. Tinha algo nas costas? Olhando direito, pareciam grandes cicatrizes, uma de cada lado, quase na altura dos ombros.
"O que é isso?"
Mas ela não teve tempo de analisar as cicatrizes direito. Estava distraída, quando um homem abriu a porta do lado oposto do corredor. Pelo uniforme, parecia ser um vigia.
-Ei!
Ela se virou assustada, e uma rajada fortíssima de vento derrubou o homem.
"Ventania?? Eu, eu me lembro!!"
Dominada por uma súbita confiança, a mulher correu em direção à janela, e pulou contra ela. O lençol esvoaçante lembrava um par de asas enquanto caía, em direção à rua lá embaixo.
O segurança correu até a janela quebrada, e viu a mulher planando até a rua, de onde correu e sumiu na escuridão da noite.
-Doug? Que houve? - perguntou outro homem, ao chegar no corredor e ver o vigia parado na janela, coçando a cabeça.
-Acabo de ver um anjo... - resmungou Doug.
-Por que diz isso?
-Você não viu? Ela voôu!
-Ela quem?
-Veja se não está faltando um corpo na sala ao lado. Eu acho que está!
O homem invadiu a sala e começou a procurar. Faltava um corpo sim.
-Cadê a ficha dela?
-Não está aí?
Os homens se entreolharam por um minuto...
-Você quer uma cerveja, Doug?
-Acho que vou aceitar, isso foi demais para mim.
-Acalme-se Doug. Ela não tinha ficha. Arranjaremos uma desculpa para a janela quebrada, e tudo bem, certo?
-Eram oito andares, Jim...
-Melhor esquecermos. Eu, por exemplo, não vi nada do que está me dizendo!
-Ok, ok. Cadê a cerva?
Em algum lugar abaixo, a mulher andava com dificuldade. Não parecia machucada. Estava era muito confusa. Fragmentos de memórias, iam e vinham.
"Quem sou eu? Estou morta? Ou viva?"
Ainda enrolada com o que restou do lençol do necrotério, a mulher parecia perdida. Lembrava-se do vento, da liberdade, e também de sua queda.
"Asas?" - colocou as mãos cruzadas sobre os ombros, tentando alcançar as duas cicatrizes que levava nas costas. Algo como uma memória ancestral, estranha, porém familiar demais, a atingiu. Caiu de joelhos.
"Anjos? ANJOS!"
Olhou para a ferida aberta em seu peito. Colocou a mão por cima dela, e a ferida lentamente se fechou. De repente, adquiriu total consciência do que era, de onde vinha, e do seu trabalho.
"Eu caço e destruo... o Mal!"
Cheirou à sua volta. Tinha dons maravilhosos. Era a senhora dos ventos. Essa era a sua herança divina!
Estava maravilhada. As lembranças voltando aos poucos. Tempos imemoriais, via legiões celestes, anjos empunhando espadas de puro fogo. Era uma criatura celeste!
Quando ouviu um grito, sua concentração sumiu, e a rua voltou a ser escura. Não via mais os anjos, nem espadas. Procurou a origem daquele grito. Então ela percebeu que podia comandar os sons também, que iam e voltavam, seguindo seus comandos.
Tudo se propagava pelo ar. O som, a vida, doenças, e mortais não vivem sem ar, e ela podia comandá-lo!
-Sua puta! Como teve coragem? Ele te pagou muito bem!!
-Ele e os amigos quiseram me espancar! Entenda, eu tive que fugir!
-Mas era um cliente! Um maldito cliente! Sabe quando ele vai querer minhas garotas novamente? Nunca mais! Tudo por causa de uma vadia como você, que eu dei abrigo e dinheiro. Não acredito, uma puta me prejudicou!
-Calma, prometo trabalhar dobrado. O que você quiser, mas nunca mais volto lá!
-Acho que não está entendendo. Hoje você sujou o nosso nome. Esse cliente não volta mais!
-Prometo dobrar meus serviços...
-Você pode consertar isso, Lisa. Basta voltar lá.
-Não faça isso comigo... Leva outra garota. A Mandy, por exemplo. Ela sempre topa.
-Eles querem você. Como acha que eu te encontrei? Eles me ligaram assim que você sumiu! Propus outra garota, mas não. Eles querem a putinha que fugiu. E sabe o que mais? Eu não investi tanto tempo e dinheiro para que recuse trabalho. Vai voltar lá, e vai voltar agora!
Lisa começou a chorar. Nunca havia rezado antes. Naquela noite, após dezoito anos de vida, começou a rezar. As lágrimas escorriam em seu rosto. Sabia o que esperava por ela. Seria espancada.
"Malditos pervertidos!" - pensou. Mandy sempre falava sobre esses tipos, mas Lisa nunca encontrara um antes. Apenas programas normais. Mas, naquela noite, ela encontrou um grupo deles.
-Vamos Lisa. Relaxe. Você supera tudo com o tempo.
-Não me mande voltar, por favor. Eu não vou suportar!
-Ah, vai sim! - dizendo isso, o homem pegou no braço de Lisa com força. Arrastava a moça em direção ao carro, quando viu aquilo na sua frente.
-Ei? Saia da minha frente!
Uma ventania o jogou na parede. Caiu, sem poder respirar direito. Viu então Lisa correr em direção à estranha mulher de branco.
-Volte aqui sua vadia!! - gritou o homem, puxando um revólver.
-Impressionante como vocês, mortais, se escondem atrás desses brinquedos de morte. Deixe-me te mostrar o que é poder!
O homem foi novamente erguido pelos ventos que sopravam, vindos de lugar algum. O revólver voôu longe. Lisa, escondida atrás da estranha mulher, apenas observava, sem reação alguma.
-Quem é você?? - perguntou o homem, grudado na parede pela ventania. Não conseguia nem ao menos se mover.
-Meu nome é Nadya. Mas, para você e outros de sua laia, sou o fim. O julgamento. Sou a prova de que algo olha ainda por esse mundo. Você entende, animal?
Os ventos cessaram, e o homem resmungou algo, mas sua voz não saía. Quando tentou respirar, o ar não veio. Em pânico, começou a chorar. Sua pele adquiriu uma coloração azulada, sufocante. Ele ainda tentou ficar de pé, mas caiu logo depois. As mãos se contorciam, e pareciam buscar o ar que ele não conseguia respirar... Ainda sofreu algum tempo, até que caiu de vez na calçada. Morto.
Lisa controlava o choro, e soluçava baixinho. Tinha medo de que a mulher a matasse também.
-Quem é você?
-Vocês clamam por algo, e quando são atendidos, ficam se perguntando o que houve. Não há nada aqui, além do que você mesma viu, Elisabeth. Tire suas próprias conclusões.
Lisa caiu de joelhos, sem saber ao certo o por que fazia aquilo. Apenas, parecia ser o correto. Abaixou a cabeça, e quando olhou em volta, a brisa levava papéis pela rua. A mulher tinha sumido...
"Obrigada, Deus!" - pensou Lisa. Fez um rápido sinal da cruz e seguiu para casa.
Acima dela, Nadya observava a noite. Estranhamente, sentia-se como uma orfã que volta ao lar, sem saber direito onde ficava. Coberta apenas pelo lençol branco, sentia novamente as ondulações do ar em sua pele. Abriu um sorriso iluminado, e se sentiu mais viva que nunca!
"Estou de volta, e o meu trabalho será feito!"
OBS: Anjos são quase tão fascinantes para mim quanto os vampiros. Foi meio que natural escrever "Nadya", colocando uma criatura dessas em Sistinas.
Foi publicado originalmente em 09.06.01
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Sou coroa mortos e porta
Eu sou uma senhora e dona de todos vocês
e assim são cruéis, elas são tão fortes e resistentes
Eu não parar suas paredes.
Sou coroa mortos e porta
Eu sou uma senhora e dona de todos vocês
e foice na frente da minha cabeça, você terá de se curvar
e de "morte obscura para subir.
Você é o convidado de honra da dança que nós jogamos para você,
instalação e rodada de dança foice rodada:
em torno de uma dança e outra
e você não é mais a senhora do tempo.



































































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